sexta-feira, 19 de junho de 2015

ODEERE e órgãos correlatos emitem carta aberta contestando a igreja católica sobre a inclusão de gênero no PME de Jequié

O Órgão de Educação e Relações Étnicas - ODEERE; a ONG LGBTSol; o Núcleo de Estudos em Gênero e Educação Sexual; e o Grupo de Estudo e Pesquisa em Gênero e Diversidade Sexual escrevem carta aberta em prol da inclusão dos temas pedagógicos sobre sexualidade no Plano Municipal de Educação (PME) a ser votado pela Câmara Municipal de Vereadores.
Quem assina a carta é o Prof. Dr. Marcos Lopes. Ele inicia sua fala baseada na literatura vigente para contestar o posicionamento do Bispo da Diocese de Jequié em enviar recomendação aos vereadores visando vetar o projeto, pois no entendimento da igreja católica o PME é considerado ideológico à formação do pensamento social.
Confirma texto da carta aberta à Comunidade e Câmara Municipal de Vereadores. Querendo, leia mais sobre o caso no link do Gicult.






quinta-feira, 9 de abril de 2015

V CBPN abre inscrições para apresentação de trabalhos

Já estão abertas, e vão até dia 28/06, as inscrições para apresentação de trabalhos no V CBPN – Congresso Baiano dos Pesquisadores Negros.

O evento acontecerá na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB, Campus de Jequié, entre 16 e 20/11/2015. E tem como tema “Produções culturais Afro-Brasileiras e diversidade: territorialidades, histórias e saberes”.

Essa é a primeira vez que o CBPN acontece em Jequié e será articulado com o IV Encontro Estadual de Educação das Relações Étnicas, a XI Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira e o II Seminário do Mestrado em Relações Étnicas e Contemporaneidade, já organizados pelo Órgão de Educação e Relações Étnicas – ODEERE/UESB.

A parceria se apresenta como uma oportunidade ímpar ao reunir vários pesquisadores, docentes e discentes da Bahia e de outros Estados brasileiros, bem como, as pessoas interessadas pela temática.

Desde a sua primeira edição, o CBPN tem buscado atingir vários objetivos: promover intercâmbios sobre as experiências de pesquisas; tomar posições que implementem ações de participações efetivas nos debates sobre assuntos relacionados à africanidade e questões raciais; inventariar as áreas e temas de interesse dos pesquisadores negros; criar estratégias com vistas a buscar apoio e convênio com as instituições de fomento nacionais e internacionais; propor mecanismos de divulgação de resultados das pesquisas concluídas e em andamento; apresentar e participar de projetos e atividades de Programas de Graduação e de Pós-Graduação, que visem  contribuir para a implementação da Lei 10.639; fomentar o intercâmbio com instituições que estão discutindo temas ligados aos interesses das populações negras.

A programação dos eventos incluirá palestras, conferências, minicursos, oficinas, mostras de fotografia/vídeo e apresentação artísticas.
Nossa intenção é dar visibilidade às pesquisas, estimular a produção e divulgação de novos estudos que contribuam para promover o intercâmbio entre universidade e comunidade. Também garantir a ampliação de espaços para debate das investigações, propostas e reivindicações que possam contribuir para as reflexões sobre as diretrizes Curriculares Nacionais voltadas ao ensino de História e Culturas Africanas e Afro-brasileiras.

Acesse o site e leia mais sobre o V CBPN, as normas para apresentação de trabalhos, prazos para inscrição, Grupos de Trabalhos (GTs), informações sobre a cidade de Jequié, entrou outros assuntos. Site: 

quarta-feira, 25 de março de 2015

Odeere abre Dia de Combate à Discriminação Racial com lançamento de livro


No fim da semana passada (20-22/03) começaram as atividades letivas do ODEERE/UESB - abertura da segunda turma do Mestrado (PPGREC) e dos cursos de Extensão 2015. Renovamos nossa luta marcada pela celebração do Dia de Combate à Discriminação Racial, que já acontece há uma década.
A abertura iniciou com uma palestra da Profa. Raquel Souza (UFBA), abordando leituras visuais a partir das fotografias negras e expressões anarquistas. Logo em seguida tivemos a certificação dos egressos dos cursos de Extensão 2014 e a continuidade do módulo de Linguagens Visuais e Cultura.
Também marcou esse encontro o lançamento do livro "ODEERE: formação docente, linguagens visuais e legado africano no sudoeste baiano".
O livro conta a história da população afro-brasileira. E, sobretudo, a história do ODEERE e como ele tem sido importante para dar visualidade ao negro e ampliar as discussões e positivação da identidade sociocultural dessa população em nossa região.
Essa literatura foi selecionada pelo edital de publicação da Editora UESB e possui textos de quatro professores/pesquisadores, sendo que dois deles são naturais de Jequié. O lançamento é um marco na memória do ODEERE por ser o primeiro livro publicado a partir das pesquisas realizadas nesse órgão.
O livro está à venda no ODEERE, nas Editoras UESB e Cultura, veja link.

quarta-feira, 18 de março de 2015

O Odeere e a Editora Uesb convidam a comunidade para lançamento de livro

Neste fim de semana o Odeere/Uesb apresenta uma vasta programação dedicada ao XI Encontro do Dia de Combate à Discriminação Racial.

O Odeere/Uesb e a Editora Uesb aproveitam e convidam a comunidade para o lançamento do livro “Odeere: formação docente, linguagens visuais e e legado africano no sudoeste baiano”.

O livro, publicado pela Editora Uesb, foi produzido por quatro professores/pesquisadores a partir de textos que relatam a presença africana em Jequié e na região Sudoeste. E também as ações visuais desenvolvidas pela linha de pesquisa "Linguagens Visuais e Cultura" nos cursos de Extensão em História e Cultura Afro-Brasileira no Odeere, turma 2010.

O lançamento, com manhã de autógrafos, acontecerá no sábado dia 21/03, às 08:00 no auditório no prédio do Odeere/Uesb.

Veja a programação completa das atividades, que começarão nessa sexta-feira, às 18:00:

- Sexta-feira, 20/03 (18:00~22:00) aula dos cursos de Extensão. Local: Odeere;
- Sábado, 21/03 (08:00~12:00) no Odeere – entrega de certificados, aula inaugural do mestrado, lançamento do livros dos professores do Odeere;
- Sábado, 21/03 (14:00~16:00) no Odeere – continuidade da aula dos cursos de Extensão;
- Sábado, 21/03 (às 16:00) no Odeere - reunião ampliada com a comissão do V CBPN;
- Domingo, 22/03 (08 às 12:00-14 às 18:00) Odeere - conclusão das aulas dos cursos de Extensão;

segunda-feira, 2 de março de 2015

Abertas inscrições para a Extensão 2015

O ODEERE - UESB, Campus de Jequié, está com inscrições abertas para três cursos de extensão: "Educação e Culturas Afro-brasileiras"; "Didática para o Ensino de História e Culturas Africanas e Afro-brasileiras" e “Gênero, Raça e Diversidade Sexual”. Serão disponibilizadas 100 vagas para cada curso. Eles terão uma carga horária de 180 horas, cada, e estão programados para começar no dia 20/03, celebração do XI Encontro de Combate à discriminação Étnica. Na oportunidade, acontecerá a abertura das atividades da extensão 2015 e o cerimonial de entrega de certificados aos egressos da turma 2014; dia 21 e 22/03 continuação com as aulas do 1º módulo dos cursos – Linguagens Visuais e Cultura.

Sobre os cursos:
“Educação e Culturas Afro-brasileiras” terá dez etapas e aulas mensais e concluirá com uma viagem de campo. O objetivo é desenvolver estudos sobre a história e cultura das populações africanas e afro-brasileiras. Algumas das disciplinas oferecidas são: Antropologia das populações Afro-brasileiras, Linguagens Visuais e Cultura, Diversidade linguística dos grupos étnicos africanos, entre outras.

“Didática para o Ensino de História e Culturas Africanas e Afro-brasileiras” será ministrado em nove etapas, com aulas mensais. Tem por objetivo desenvolver entre os participantes, atividades didático-metodológicas que contribuam para a melhoria e a profissionalização do processo ensino-aprendizagem de História e Culturas Africanas e Afro-brasileiras. O público-alvo são professores e pesquisadores, cujo requisito é já ter concluído o curso de extensão em Educação e Culturas Afro-brasileiras. 

“Gênero, Raça e Diversidade Sexual” vai ser oferecido em parceria com o Núcleo de Estudos em Diversidade de Gênero e Sexual. O referido curso apresentará e discutirá sobre as interfaces entre gênero, raça e sexualidade considerando os processos normativos e normalizadores que produzem as diferenças e também as discriminações. Serão tratadas temáticas como mulheres negras; artefatos culturais e as produções de gênero e sexualidade; transgeneridade; masculinidades e feminilidades; homossexualidades, bissexualidade e relações étnico-raciais; intersexualidade; sexismo, racismo e lesbo-homo-bi-transfobia. É intuito também compreender os processos de violência que acometem as mulheres e a comunidade LGBTTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais) e desenvolver intervenções a fim de garantir o reconhecimento dos direitos humanos dessa comunidade.

Os alunos dos três cursos promovidos pelo ODEERE terão participação na “XI Semana de Educação da Pertença Afro-brasileira”, que acontecerá de 16 a 20 de novembro deste ano.

Mais informações:
Telefone (73) 3526-2669 ou pelo e-mail odeere@uesb.edu.br. As inscrições estão sendo feitas até o dia 20/03/2015 na sede do ODEERE: Rua João Rosa, S/N, Pau Ferro/Jequié (Antigo Colégio Dom Climério de Andrade), como também na sala do ODEERE/CAP-UESB. O horário de atendimento é de 08 às 13 horas e de 14 às 18 horas, de segunda a sexta-feira. Os interessados de outras cidades deverão preencher a ficha de inscrição e encaminhá-la (anexada) para o e-mail do ODEERE.
CLIQUE AQUI PARA BAIXAR A FICHA DE INSCRIÇÃO.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Odeere conclui curso de extensão indígena na comunidade Tupinambá

Katu pituna! Esta é a forma como os indígenas Tupinambás das aldeias de Olivença (Ilhéus) desejam “boa noite”.
A etnia Tupinambá foi dada como extinta desde o século XVII, o processo de colonização e a disputa de terra pelos coronéis contribuíram para a dispersão e negação da identidade por essa população. A partir de 2002 os Tupinambás foram reconhecidos pela Funai, pesquisas apontam 3.700 índios cadastrados e residindo em 23 aldeias na região de Olivença.
Aula de campo da Extensão do Odeere/Uesb,
com o Prof. Atã na Aldeia Gwarini Taba Atã 
Entre os dias 5 a 8/02, o Órgão de Educação e Relações Étnicas (Odeere/Uesb) esteve participando de uma pesquisa de campo (turma 2014) na comunidade Tupinambá. A proposta faz parte do curso de extensão em Educação e Culturas Indígenas, que o Odeere oferece desde 2013. Nosso objetivo é qualificar professores da educação básica e fundamental, bem como estudantes e pesquisadores que se interessam pela discussão da Lei n.º 11.645/2008.
A legislação citada torna obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena na educação pública e privada. Abordar esse conteúdo curricular é importante para o resgate histórico-cultural. E também minimizar os impactos sofridos pelas populações afro-descentes e indígenas ao longo da história brasileira.
Em Jequié já não há remanescentes indígenas... Nossos estudos apontam que a situação indígena na Bahia tem sido preocupante, devido à disputa de terras pelos fazendeiros e interessados no comércio imobiliário. De acordo com o Prof. Katu Tupinambá (ministrante do curso de extensão) esses conflitos são intensos na região de Olivença. O índio Tupinambá não luta pelo valor econômico da terra, mas pela legitimidade de garantir seu território e identidade construída nesses espaços.
Nossa visita a esses espaços foi enriquecedora. Coordenadores e alunos da extensão visitaram os marcos históricos e as aldeias com os professores Katu, Atã e comunidade indígena. Abrimos a aula de campo na Praia do Cururupe, onde ocorreu o massacre indígena (1959) e a resistência mediada pelo Caboclo Marcelino. Visitamos a Igreja das Escadas, local de educação jesuíta, onde ainda acontecem as tradições culturais indígenas.
Depois das rodas de conversas e da aula teoria conceitual, com os professores Tupinambás, no Centro Cultural de Olivença, fomos à aldeia Gwarini Taba Atã. Fechamos as atividades do dia com a trilha e visita de reconhecimento da aldeia e população. Também não faltou um tipo de bebida indígena, à base de mandioca, conhecida como “Giroba”. À noite participamos do Porancy - ritual numa das comunidades à beira mar, marcado pela dança típica e roda de conversa.
As apresentações culturais renovaram nossas energias para o dia seguinte. Os alunos visitaram a aldeia Itapoãn da Cacique Valdelice. Também apresentaram suas conclusões sobre a realidade indígena durante aula, que aconteceu no Colégio Indígena Tupinambá, retomada. As apresentações contribuirão para conhecermos a proposta pedagógica da escola. Sobretudo, porque motivou os cursistas na construção de estratégias destinadas à docência do currículo indígena nas escolas ondem atuam.
Verificamos que as comunidades Tupinambás são carentes de atenção do governo e da sociedade, principalmente no que se refere ao respeito e acesso aos direitos garantidos por lei. Sobrevivem da pesca, agricultura familiar e venda de artesanatos. Preservam uma cultura tradicional, que é repassada pelos mais velhos. Com a criação da Lei 11.645 novas portas se abrem para a expansão dessas comunidades. Inclusive pela contribuição de vários indígenas que concluem cursos superiores e aplicam seus conhecimentos nas aldeias.
O Odeere da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) acredita na importância das propostas de extensão, pois visam aproximar os docentes da realidade indígena. O amparo jurídico é imprescindível nessa discussão. Entretanto, sem estudo voltado ao contato com a realidade dessas populações torna-se difícil construirmos uma educação inclusiva, que contemple a luta pela dignidade do índio.
VEJA MAIS IMAGENS DO ÁLBUM, CLIQUE AQUI.

Cursistas da Extensão em Educação e Cultura Indígena
Parque do Centro Cultural de Olivença - Ilhéus

Prof. Katu Tupinambá abrindo a aula de campo às margens do
Rio Currurupe, onde ocorreu o massacre indígena de 1959

Indígenas e cursistas participam do ritual Porancy - Olivença

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015


Crime e preconceito: mães e filhos de santo são expulsos de favelas por traficantes evangélicos



A roupa branca no varal era o único indício da religião da filha de santo, que, até 2010, morava no Morro do Amor, no Complexo do Lins. Iniciada no candomblé em 2005, ela logo soube que deveria esconder sua fé: os traficantes da favela, frequentadores de igrejas evangélicas, não toleravam a “macumba”. Terreiros, roupas brancas e adereços que denunciassem a crença já haviam sido proibidos, há pelo menos cinco anos, em todo o morro. Por isso, ela saía da favela rumo a seu terreiro, na Zona Oeste, sempre com roupas comuns. O vestido branco ia na bolsa. Um dia, por descuido, deixou a “roupa de santo” no varal. Na semana seguinte, saía da favela, expulsa pelos bandidos, para não mais voltar.
— Não dava mais para suportar as ameaças. Lá, ser do candomblé é proibido. Não existem mais terreiros e quem pratica a religião, o faz de modo clandestino — conta a filha de santo, que se mudou para a Zona Oeste.
A situação da mulher não é um ponto fora da curva: já há registros na Associação de Proteção dos Amigos e Adeptos do Culto Afro Brasileiro e Espírita de pelo menos 40 pais e mães de santo expulsos de favelas da Zona Norte pelo tráfico. Em alguns locais, como no Lins e na Serrinha, em Madureira, além do fechamento dos terreiros também foi determinada a proibição do uso de colares afro e roupas brancas. De acordo com quatro pais de santo ouvidos pelo EXTRA, que passaram pela situação, o motivo das expulsões é o mesmo: a conversão dos chefes do tráfico a denominações evangélicas.

Atabaques proibidos na Pavuna

A intolerância religiosa não é exclusividade de uma facção criminosa. Distante 13km do Lins e ocupada por um grupo rival, o Parque Colúmbia, na Pavuna, convive com a mesma realidade: a expulsão dos terreiros, acompanhados de perto pelo crescimento de igrejas evangélicas. Desinformada sobre as “regras locais”, uma mãe de santo tentou fundar, ali, seu terreiro. Logo, recebeu a visita do presidente da associação de moradores que a alertou: atabaques e despachos eram proibidos ali.
—Tive que sair fugida, porque tentei permanecer, só com consultas. Eles não gostaram — afirma.
A situação já é do conhecimento de pelo menos um órgão do governo: o Conselho Estadual de Direitos do Negro (Cedine), empossado pelo próprio governador. O presidente do órgão, Roberto dos Santos, admite que já foram encaminhadas denúncias ao Cedine:
— Já temos informações desse tipo. Mas a intolerância armada só pode ser vencida com a chegada do estado a esses locais, com as UPPs.
O deputado estadual Átila Nunes (PSL) fez um pedido formal, na última sexta-feira, para que a Secretaria de Segurança investigue os casos.
— Não se trata de disputa religiosa mas, sim, econômica. Líderes evangélicos não querem perder parte de seus rebanhos para outras religiões, e fazem a cabeça dos bandidos — afirma.
Nas favelas, os ‘guerreiros de Deus’
Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, chefe do tráfico no Morro do Dendê, ostenta, no antebraço direito, a tatuagem com o nome de Jesus Cristo. Pela casa, Bíblias por todos os lados. Já em seus domínios, reina o preconceito: enquanto os muros da favela foram preenchidos por dizeres bíblicos, os dez terreiros que funcionavam no local deixaram de existir.
Guarabu passou a frequentar a Assembleia de Deus Ministério Monte Sinai em 2006 e se converteu. A partir daí, quem andasse de branco pela favela era “convidado a sair”. Os pais de santo que ainda vivem no local não praticam mais a religião.
A situação se repete na Serrinha, ocupada pela mesma facção. No último dia 22, bandidos passaram a madrugada cobrindo imagens de santos nos muros da favela. Sobre a tinta fresca, agora lê-se: “Só Jesus salva”.
O babalaô Ivanir dos Santos, representante da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), criada justamente após casos de intolerância contra religiões afro-brasileiras em 2006, afirma que os casos serão discutido pelo grupo, que vai pressionar o governo e o Ministério Público para que a segurança do locais seja garantida e os responsáveis pelo ato sejam punidos. “Essas pessoas são criminosas e devem ser punidas. Cercear a fé é crime”, diz o pai de santo.

Lei mais severa

Desde novembro de 2008, a Polícia Civil considera como crimes inafiançáveis invasões a templos e agressões a religiosos de qualquer credo a Lei Caó. A partir de então, passou a vigorar no sistema das delegacias do estado a Lei 7.716/89, que determina que crimes de intolerância religiosa passem a ser respondidos em Varas Criminais e não mais nos Juizados Especiais. Atualmente, o crime não prescreve e a pena vai de um a três anos de detenção.
Filha de santo, que foi expulsa do Lins: ‘Não suportava mais fingir ser o que não era’.
— Me iniciei no candomblé em 2005. A partir de minha iniciação, comecei a ter problemas com os traficantes do Complexo do Lins. Quando cheguei à favela de cabeça raspada, por conta da iniciação, eles viravam o rosto quando eu passava. Com o tempo, as demostrações de intolerância aumentaram. Quando saía da favela vestida de branco, para ir ao terreiro que frequento, eles reclamavam. Um dia, um deles veio até a minha casa e disse que eu estava proibida de circular pela favela com aquelas “roupas do demônio”. As ameaças chegaram ao ponto de proibirem que eu pendurasse as roupas brancas no varal. Se eu desrespeitasse, seria expulsa de lá. No fim de 2010, dei um basta nisso. Não suportava mais fingir ser o que eu não era e saí de lá.
Mãe de santo há 30 anos, expulsa da Pavuna: ‘Disseram que quem mandava ali era o ‘Exército de Jesus”.
— Comprei, em 2009, um terreno no Parque Colúmbia, na Pavuna. No local,. não havia nada. Mas eu queria fundar um terreiro ali e comecei a construir. No início, só fazia consulta, jogava búzios e recebia pessoas. Não fazia festas nem sessões. Não andava de branco pelas ruas nem tocava atabaque, para não chamar a atenção. Um dia, o presidente da associação de moradores foi até o local e disse que o tráfico havia ordenado que eu parasse com a “macumba”. Ali, quem mandava na época era a facção de Acari. Já era mais de santo há 30 anos e não acreditei naquilo. Fui até a boca de fumo tentar argumentar. Dei de cara com vários bandidos com fuzis, que disseram que ali quem mandava era o “Exército de Jesus”. Disse que tinha acabado de comprar o terreno e que não iria incomodar ninguém. Dias depois, cheguei ao terreiro e vi uma placa escrito “Vende-se” na porta — eles tomaram o terreno e o puseram a venda. Não podia fazer nada. Vendi o terreno o mais rapidamente possível por R$ 2 mil e fui arrumar outro lugar.

Leia a matéria completa em: Crime e preconceito: mães e filhos de santo são expulsos de favelas por traficantes evangélicos - Geledés 
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