segunda-feira, 26 de março de 2012

Novo curso disponivel no Odeere

O Órgão de Educação e Relações Étnicas (ODEERE) estará oferecendo a partir de abril de 2012, um novo curso de extensão intitulado “Cultura indígena, africanidades e gênero”. Este curso pretende apresentar e discutir aspectos relacionados à cultura indígena e afro-brasileira, estabelecendo em alguns momentos relações com as questões de gênero. O curso iniciará nos dias 28 e 29 de abril de 2012. Os módulos ocorrerão uma vez por mês. Dentre os temas abordados destacam-se: história e cultura indígena; gênero e raça; políticas de ações afirmativas; memória, identidade e cultura africana entre outros.

Maiores informações com Ozeias pelo telefone: 3526-2669 ou email: odeere_uesb@hotmail.com.

Abertura das atividades e período letivo do Odeere

Professora Drª. Marise de Santana, Prof. Dr. Edson Dias Ferreira, Prof. Dr. Marcos Lopes

Teve início na sexta-feira passada, a abertura das atividades e das aulas de extensão do Odeere/Uesb, período 2012. O evento sempre se estende a partir do “Dia Internacional de Combate à Discriminação Étnica”, que é comemorado na data de 21 de março. Portanto, uma ocasião importantíssima para discutir os problemas e as políticas públicas voltadas à promover a igualdade racial, inserção do negro e das classes menos favorecidas na sociedade brasileira.

Pela manhã foi apresentada uma mesa de debate tendo como palestrante o Prof. Dr. Benedito Eugênio Gonçalves. Estiveram presentes professores, pesquisadores e estudiosos da temática, que discorreram sobre os desafios e possibilidades no combate à discriminação étnica, bem como acerca da importância do núcleo Odeere/Uesb no resgate da identidade e cultura negra. Também foi uma oportunidade para dar as boas vindas aos novos alunos não só de Jequié, mas de Vitória da Conquista, Ipiau, Jaguaquara, Ilhéus, Jitaúna e de muitas outras cidades que estão chegando para participar dos cursos do Odeere.

Destarte, a partir da tarde e durante todo o dia de sábado as atividades se concentraram nas aulas do curso de extensão em Educação e Culturas Afro-brasileiras e Didática para o Ensino de História e Culturas Afro-brasileiras e Africanas.

Como de costume foi ministrado o módulo “Linguagens Visuais e Cultura”, pelo Prof. Dr. Edson Dias Ferreira/UEFS, Prof. Ms. Antonio Argolo Silva. Neto/UEFS-PPGDCI e Prof. Manuel da Silva Santana/ODEERE. Objetivos do módulo: promover uma discussão acerca da imagem e sua correlação com as práticas pedagógicas e culturais. Culminância com as produções visuais e artísticas desenvolvidas a partir de fotografia, vídeo, origami e artes cênicas.

Durante a noite, o fechamento das atividades do Odeere culminou com a exibição de um vídeo onde a Professora Drª. Marise de Santana é entrevistada pelo programa Salto para o Futuro do núcleo de educação a distância do Ministério da Educação e Cultura (MEC) apresentado pela TV Cultura. e emissoras associadas. E finalmente os egressos do Odeere, turma 2011, recebem seus certificados de conclusão dos cursos de extensão e didática.

Texto: Prof. Ms. Antonio Argolo Silva Neto

quinta-feira, 1 de março de 2012

Joaquim Barbosa será o terceiro negro da história do STF

Joaquim Barbosa

Pela terceira vez em mais de 100 anos de existência, o Supremo Tribunal Federal (STF) terá como presidente um negro: o ministro Joaquim Benedito Barbosa Gomes. Destinado a ocupar o mais alto cargo da corte de Justiça Brasileira, ele deverá assumir em novembro de 2012, em razão do rodízio de ministros da casa. Até lá, Ayres Britto que terá posse em 19 de abril permanecerá no lugar de Cezar Peluso.

Não fossem por problemas de saúde, Barbosa teria ocupado o cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2010. Devido aos imprevistos, e por sua competência, ele assume o cargo que faz parte da linha sucessória da Presidência da República, depois da Presidência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Histórico – De família pobre, Joaquim Barbosa como é conhecido no cenário político, nasceu no município mineiro de Paracatu, em 1954. Primogênito de oito filhos, viu seus pais se separarem cedo, tornando-se responsável pela família composta por sua mãe e irmãos. Aos 16 anos, foi sozinho para Brasília, onde conseguiu emprego e concluiu o segundo grau, sempre estudando em colégio público.

Obteve seu bacharelado em Direito na Universidade de Brasília e, em seguida, mestrado em Direito do Estado. Prestou concurso público para Procurador da República e foi aprovado. Na década de 1990, licenciou-se do cargo e foi estudar na França por quatro anos, onde se mestrou em Direito Público e se doutorou em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas).

É professor licenciado da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ensinou as disciplinas de Direito Constitucional e Direito Administrativo. Foi visiting scholar (1999-2000) no Human Rights Institute da Columbia University School of Law, New York, e na University of California Los Angeles School of Law (2002-2003).

Barbosa prestou concurso para a carreira diplomática. Foi aprovado em todas as etapas e ficou na entrevista: a única na qual a cor de sua pele era identificada. A partir do episódio, sua consciência racial, que começou a ser desenhada na adolescência, ganhou contornos mais fortes. Atual ministro e provável presidente do STF, foi defensor do sistema de cotas que garante vagas universitárias específicas para estudantes negros.

Por Daiane Souza

http://www.revistaafricas.com.br

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Inscriçoes

Informamos que as inscrições para o curso de” Extensão em Educação e Cultura Afro-brasileira” e “Didática para o ensino de historia e cultura africana e afro-brasileira” iniciarão nessa quarta-feira dia 29/02, os interessados de outras localidades estaremos disponibilizando as fichas dentro dos próximos dias on-line.
Maiores informações Facebook, Orkut, e-mail blogger e pelo telefone
Facebook : http://www.facebook.com/pages/ODEERE/242929499132517
e-mail: odeere_uesb@hotmail.com
Fone: (73) 3526 – 2669
Blog : www.odeereuesb.blogspot.com

Coordenação

Prazo de entrega dos relatorios

Prezados (as)

Para aqueles (as) alunos (as) que concluíram todos os módulos e participaram da viagem de campo, informamos que a data final para entrega de relatório do curso será 02/03/2012. Este relatório deverá ser entregue no ODEERE (impresso). Em breve estaremos confirmando a data do cerimonial de encerramento e entrega de certificados.
Contato: Odeere_uesb@hotmail.com,
fone: 073 3526-2669

Paulo Henrique Amorim é condenado a pagar indenização por racismo

RIO DE JANEIRO - Paulo Henrique Amorim foi condenado a pagar uma indenização de R$ 30 mil ao jornalista Heraldo Pereira, da TV Globo. O valor será dividido em seis parcelas de R$ 5 mil, que começam a ser pagas no dia 15 de março. Além disso, Amorim também terá de fazer uma doação de R$ 30 mil a uma instituição de caridade indicada por Pereira.

E ainda tem mais: o apresentador da Rede Record terá que se desculpe publicamente com o colega de profissão. A Justiça determinou que Paulo Henrique Amorim publique uma nota de retratação nos jornais “Correio Braziliense” e “Folha de S. Paulo”, no blog “Conversa Afiada” e retire todas as reportagens que façam menção a Heraldo Pereira no blog.

A briga judicial entre os dois já vinha desde 2010, quando o apresentador do programa “Domingo Espetacular”, da Rede Record, publicou um texto no “Conversa Afiada”, onde dizia que Pereira fazia bico na Globo e era um “negro de alma branca”. Além disso, Paulo Henrique Amorim questionava a ética do colega e chegou a dizer que ele trabalhava para Gilmar Mendes, então presidente do STF (Supremo Tribunal Federal).

Leia a íntegra do texto que deverá ser publicado nos jornais:

“RETRATAÇÃO DE PAULO HENRIQUE AMORIM CONCERNENTE À AÇÃO 2010.01.1.043464-9, que reconhece Heraldo Pereira como jornalista de mérito e ético; que Heraldo Pereira nunca foi empregado de Gilmar Mendes; que apesar de convidado pelo Supremo Tribunal Federal, Heraldo Pereira não aceitou participar do Conselho Estratégico da TV Justiça; que, como repórter, Heraldo Pereira não é e nunca foi submisso a quaisquer autoridades; que o jornalista Heraldo Pereira não faz bico na Globo, mas é empregado de destaque da Rede Globo; que a expressão 'negro de alma branca' foi dita num momento de infelicidade, do qual se retrata, e não quis ofender a moral do jornalista Heraldo Pereira ou atingir a conotação de 'racismo'”.

Por Famosidade

"Jardim das Folhas Sagradas”, o filme.

Quem não assistiu o filme “Jardim das Folhas Sagradas”, sob direção do cineasta baiano Pola Ribeiro, assistam. É um filme imperdível para todos (as) aqueles (as) que se preocupam com as questões religiosas em pleno século XXI. Erradamente, alguns pensadores proféticos da Modernidade, decretaram a morte da Religião como elemento propulsor da máquina terrestre racionalizadora e mortífera; mas o que me interessa aqui é discutir de como a Religião de Matriz Africana, neste caso específico, o Candomblé, foi historicizado através do Mito. Aliás, o Mito é uma narrativa poderosa de significações. Sendo assim, vejamos como um Mito Africano se re-atualizou na sociedade contemporânea, urbana, no cenário baiano, através da personagem Bomfim, protagonizada pelo autor baiano Antônio Godi.

Para aqueles que não assistiram ao filme, Bonfim é um homem negro baiano que se vê na encruzilhada, literalmente, em decidir se vai assumir o sacerdócio de um Terreiro de Candomblé em Salvador. O cargo de Babalorixá (Pai- de –Santo) é uma herança familiar que lhe foi divinizado de acordo com o jogo dos Búzios. Bonfim é um filho de Ossain, um dos Orixás mais respeitados devido a sua importância em cultuar as Folhas sagradas nos Terreiros de Candomblé. Sem essa Divindade não existe culto, pois as folhas representam a pureza; a limpeza; a cura, a magia, a natureza, o oxigênio que respiramos.

Bonfim é um negro bem sucedido profissionalmente, é gerente de um Banco, casado com uma mulher branca e evangélica. Sua angústia é dupla: tem que escolher entre assumir seu destino religioso e ou sua profissão e, ao mesmo tempo, conviver com a intolerância religiosa de sua esposa que o demoniza devido a sua inclinação para o Candomblé. No meio de tantas tensões e conflitos, vivencia, no ambiente de trabalho, discriminação racial praticada por seus colegas brancos (as); que não o aceita como negro, ocupando cargo de chefia. Diante dessas duas situações, Bonfim toma uma decisão: separa-se da mulher e abandona o emprego para viver plenamente o seu destino religioso.

Neste ínterim, Bonfim convive com várias pessoas de Santo que o incentivam a tomar tal decisão. Por outro lado, apaixona-se por um jovem branco, com o qual tem uma intensa relação amorosa. Paralelamente, inicia sua vida religiosa como Babalorixá de um Terreiro, cujo terreno foi comprado na mão de dois vigaristas, estelionatários que o engana. Compra o terreno em Salvador e inicia ali o culto aos Orixás. Uma das preocupações fundamentais do filme, o tema central, é que Bonfim como vegetariano, filho de Ossain, não aceita a matança de animais no Candomblé. Contrariando os cultos sagrados, Bonfim inaugura sua Casa de Santo e utiliza apenas como ritual, as folhas. Depois dessa atitude, a vida de Bonfim desmorona-se: seu grande amor, o jovem branco, sofre um acidente de carro e falece; sua casa de Santo pega fogo e um dos seus amigos, inclusive antropólogo, morre em decorrência do incêndio. Tais acontecimentos fazem com que Bonfim volte atrás e retome sua vida religiosa dentro dos rituais tradicionais do Candomblé.

Duas questões são relevantes, ao meu ver, que são elucidadas no filme. Uma é a forma como o cineasta trabalha com maestria as visões permeadas pelos não –candomblecistas – sobre a matança de animais no Candomblé. Geralmente, os leigos ou contestadores do Candomblé utilizam tal argumento para demonizar as práticas ritualísticas que utilizam os animais como oferendas e estes como alimentos para socialização entre as pessoas; prática inclusive corriqueira entre nós pobres mortais; a diferença é que muitos daqueles que comem carne, na atualidade, diferente do Candomblé, compartilham dos rituais de tortura recheados com muitas “bombas” de hormônios produzidas em série pelas máquinas mortíferas da sociedade moderna ocidental; aliás, deve-se registrar quanto é doloroso ver um boi ser abatido; quem vê, jamais esquece do ritual de crueldade ao qual o animal é submetido ou da perversidade que determinados animais sofrem em laboratórios experimentais da ciência; mas a ciência é racional? Deve ser por isso, que os Hindus não comem a carne do gado!

O filme problematiza esta questão a partir do olhar de dentro do Terreiro de Candomblé, sem resvalar para o campo da acusação ou da ofensa, ao contrário, o autor do filme utiliza-se da re-tualização do Mito de Ossain, Orixá das Folhas, para mostrar que a Natureza é plena de significados, que a fauna e a flora fazem parte da nossa constituição de mundo; talvez, o que precisamos é respeitar mais a quem nos dá a “carne” e o “ sangue” de Cristo.

Além disso, o mito de Ossain é o mito que contraria boa parte das Religiões que santificam ou reprimem seus mitos e suas sexualidades. Ossain, assim como o seu filho, personagem representado por Bonfim é um Orixá que tem dupla sexualidade. No filme, Bonfim era casado com uma mulher branca, depois apaixonou-se por um rapaz branco e relaciona-se sexualmente com uma mulher negra do Candomblé. Quem conhece os mitos africanos sabem que a hetero-mono-normatividade não tem seu lugar; talvez, seja por isso também, que a nossa Religião seja tão perseguida. Ela contraria a norma das evidências bárbaras colonialistas incorpadas no discurso da cristianização da sexualidade, do gênero e da raça.

O filme nos leva a uma viagem psicodérica, fora das armadilhas bilaterais que nos amarra entre o discurso construído pelo modelo dual do pecado e do profano, ao contrário, revesbera para uma linguagem mitológica que ganha força em narrativas vivas vivenciadas por um homem comum que traz no seu Odú (destino) a tarefa de nos fazer refletir sobre os inter-campos da selvageria grotesca com que aprendemos a nos relacionar com a natureza apenas como objeto de produção e sobrevivência do homem para uma relação de pensar a natureza divinizada como sujeito. É uma reflexão sobre o meio ambiente numa perspectiva inovadora, transcrita em cenas que problematizam a tríade relação: homem- criação e natureza. A eficácia simbólica do filme consiste em nos retirar da zona de conforto a que sempre nos sentimos situados em relação ao “outro” seres da natureza . Quem assistir o filme com o olhar não etnocêntrico, verá que o mito não morre. O mito, nesse caso é trans histórico, é uma narrativa sobre nós mesmos, nossos antepassados, nossas sociedades, é a forma de lermos a nossa cultura, não é uma mentira, é uma linguagem que utilizamos para dizer coisas mais profundas que nem sempre a nossa vã filosofia não consegue explicar.

Enfim, que um dia todos nós possamos viver em paz, sem invadir o espaço público de ninguém e que posamos viver no jardim das folhas e das faunas sagradas....

Ana Cláudia Lemos Pacheco

Doutora em Ciências Sociais- UNICAMP; professora de Sociologia e Antropologia do DCHL/UESB